Vampiros: Amor imortal

Noite. Como tantas outras vezes seguidas, Valek, antes de se levantar, pensa nas vítimas feitas em uma possível fúria alimentícia. Desta vez ele estava simplesmente alimentando o ego, como Marcus tanto havia insistido para que ele fizesse, fosse ele mesmo, um ser da noite, um Vampiro, não visse os humanos com sentimento, mas como alimento. Porém a noite seguinte, nunca é
fácil, mesmo deixando-se levar por instintos ancestrais de um sanguessuga.

Marcus estava com ele na noite passada. Onde estaria agora? Onde teria deixado as duas moças? Ele sabia onde largar os corpos para que não os encontrassem e fossem mais uma vítima de uma extensa lista de desaparecidos.

A noite de “diversão” se foi. Ele fica deitado, pensando em algo que está preocupando-o. Onde estará Patrícia? Nunca mais havia tido notícias, nunca mais havia procurado por ela, desde a decisão que eles não poderiam ficar juntos, mas… algo o incomoda, alguma coisa o diz para
procurá-la, saber dela…

_Pedro, meu amigo, por favor… – Valek chama seu empregado que passava pela porta do quarto entreaberta.

_ Pois não Senhor Valek?

_ Arrume minha roupa, vou sair. Só vou tomar banho.

_ Como quiser senhor.

O empregado entra, abre um armário onde acende-se uma luz, iluminando as roupas ali contidas. Roupas de várias grifes, camisas, ternos, calças…

_ Alguma preferência para hoje senhor Valek? Pedro volta-se para o vampiro que está sentado na beira da cama, com a cabeça baixa.

_ Gosto de sua opinião Pedro.

_ Como quiser senhor.

O Vampiro levanta-se, segue para o banheiro e comumente toma um banho demorado, enchendo o ambiente de uma névoa de vapor. Termina o banho, enxuga-se e tudo parece lembrar o dia que encontrou Patrícia, mas ele mesmo não sabe o porquê. O perfume que pega em sua cômoda lembra aquela moça, a roupa que veste, o horário, porque estaria pensando tanto assim nela?

_ Pedro, estou de saída. Tranque tudo e quando quiser dormir ou sair, fique à vontade meu amigo.

_ Obrigado Senhor Valek.

O ser da noite sai em seu carro preto, com vidros totalmente escuros. Liga o rádio e escuta uma música… lembranças… momentos…

“There´s a Guardian Angel Here,
She´s Keep me alive…”

Ele dá um tapa no volante. Até então dirigia sem rumo, vira à esquerda e segue para a rua da pessoa que o faz ter esses sentimentos aflorados, sentimentos humanos… seria amor? Não pode ser, vampiros não amam… ou amam?

Passava das 23 horas quando ele estaciona no mesmo local, um pouco longa da casa da moça e mais uma vez apenas observa a movimentação da rua, da casa.

Luzes acesas onde era a sala se apagam, uma luz no quarto de cima, onde ele sabia que ela dormia é acesa.

_ O que está fazendo Valek – pensa o vampiro enquanto observa. Ele permanece ali até que a mesma luz se apague.

Com o uso de seus poderes ele chega até a janela aberta, adentra o recinto. Vê a moça dormindo. Costas descobertas, braços enfiados embaixo do travesseiro, corpo de lado, pernas encolhidas, lençol cobrindo apenas da cintura para baixo. Por um longo tempo ele simplesmente observa.

Ela faz um movimento e vira-se para o lado da janela onde o vampiro está. Abre lentamente os olhos e quando vai emitir um grito, ele agilmente tampa sua boca, fazendo sinal de silencio com a outra mão.

_ Patricia… eu…  – Ele não consegue falar, simplesmente limita-se a olhá-la.

A moça reconhece o ser, vai se acalmando, ergue uma das mãos para tocar Valek que instintivamente recua, mas ela insiste.

_ Valek…

Ela senta-se na cama enquanto o vampiro está ajoelhado aos pés dela. Ela o abraça forte, o mesmo ele faz, retribuindo o carinho.

Palavras não são necessárias em determinados momentos. Eles se entreolham. Valek passa a mão na nuca da moça puxando-a para si. Ela se deixa levar pelo vampiro. Eles se beijam intensamente. Braços, abraços, beijos intensos, quentes…

Ela começa a desabotoar a camisa dele que não resiste. Ele começa a levantar a camiseta que cobria o corpo quente de Patricia, sem ela apresentar resistência. Ela puxa-o para cama, fazendo-o ficar de joelhos enquanto ela o beija o peito. Ele puxa-a para si, gemendo de prazer, beija o
pescoço da moça, sentindo desejo por ela. Ele deita-a na cama, beijando intensamente seus lábios quentes, pescoço… sentindo a pulsação das artérias em sua boca, um desejo que passa a ser quase incontrolável. Ela puxa-o para si, para ela, arranhando as costas do ser, que geme de prazer enquanto ele desce beijando o corpo quente de Patricia que solta um gemido fazendo o vampiro ficar mais desejoso ainda.

_Patricia…

_ Shhh, apenas fique comigo, deite-se comigo Valek – Patricia coloca o dedo em riste sobre os lábios do vampiro, que o beija intensamente, voltando-se para ela novamente, beijando seus lábios, pescoço, descendo pelos seios, costelas, escutando a moça soltar gemidos de prazer e puxar seus cabelos…

As mãos do vampiro percorrem o corpo quente de Patrícia, algo que ainda conserva da mortalidade dá sinal.

Patrícia vira-o e deita-se sobre ele, beijando-o intensamente, descendo pelo pescoço, peito, abdômen, enquanto o vampiro suspira puxando os cabelos de Patrícia.

_ Patricia, você não me teme? Valek pergunta entre um suspiro de prazer e outro.

_ Não Valek, quero ser sua. Toda sua… me morda! Me transforme…

Agilmente Valek sai da cama, como se ela estivesse em chamas e dirige-se para o canto do quarto.

_ Milady, não sabes o que pedes a mim! Isso eu nunca faria a ti! – Uma lágrima de sangue escorre dos olhos do vampiro.

Lentamente Patricia se aproxima dele, enxuga aquela lágrima com o dedo e quando estava o levando para a boca é impedida pelo vampiro…

_ Não! Não faça isso!

Valek puxa-a novamente para si, olhando fixamente em seus olhos lindos, penetrantes, não consegue usar seus poderes para ver a mente da moça, não tem coragem disso. Ele a abraça intensamente. Mais uma vez passa a beijá-la, intensamente, quentemente, deliciosamente… ambos são tomados pelo desejo. Ele a leva para a cama, deita-a e começa a beijá-la com mais intensidade,
desejo, paixão, amor… Boca, pescoço, seios, abdômen, intensos beijos, corpo quente. A última peça de roupa cai ao chão.

Ela puxa-o, retirando o cinto, abrindo botões… ele a ajuda arremessando a roupa ao chão. Eles se amam intensamente, como meros mortais poderiam, como grandes amantes fariam, como nunca ninguém imaginou. Duas espécies diferentes. Nunca ninguém testemunhou esse ato que pode ser abominável para os Primeiros, mas para esse Imortal Vampiro e para essa Mortal é um momento de não pensar nisso, simplesmente amarem-se intensamente.

Uma noite, que foi testemunha de um amor impensável, finalmente termina…

_Valek…  – Patricia desperta, procurando o seu amante e se questionando… será que foi um sonho? Ela olha suas roupas ao chão, imaginando não ter sonhado nada daquilo. Mas
Valek não está ali…

Vampiros: Hells Bells, a diversão continua…

Marcus e Valek saem da sala após a longa conversa. O Hells Bells ainda estava lotado e a banda tocava um clássico da banda Type O Negative “Christian Woman”.

_Bela música não Valek? – Marcus dá um sorriso frio para Valek – Vamos nos sentar e apreciar a noite?

_ Você não se preocupa mesmo Marcus? Os pulguentos estão reaparecendo, podem nos atacar – Valek puxa uma cadeira, vira-a e senta-se com as costas da cadeira de frente para ele, recostando cós braços na parte superior do encosto – Você lembra-se das antigas alianças deles, sabe que não são limpos nas lutas…

_Bem sei amigo, alianças com a igreja medieval, ataque aos Templários que foram outrora nossos aliados. Mas isso é passado, não vivemos nessa época, isso só é encontrado nas antigas livrarias dOs Primeiros – Moça, por favor, uma taça de bebida para nós.

_ Como quiser Sr. Marcus.

_ Valek, nós temos aliados também… Conclave pode muito bem nos auxiliar. Você conhece a Talamasca, mas sabe a história do Conclave? São dois seguimentos muito parecidos, mas o Conclave se envolve menos que os teus amigos.

_ O Conclave é uma parte dos Templários que seguiu para o lado da Magia, possessão demoníaca…

_ Sim Valek, mas quem disse que não podemos usar magia e demônios para nos ajudar?

_ Realmente Marcus, você sempre tem seus truques na manga. Mas temos que nos organizar, os pulguentos podem se esconder de nós na forma humana e não conseguimos descobrir quem são e onde estão.

_ É nesse exato momento que entra a Magia, mas temos que esperar para eles darem o primeiro passo do ataque, se é que serão loucos o suficiente para fazerem isso.

A garota coloca uma garrafa de um líquido que não pode-se notar a cor devido ao vidro ser fosco e preto.

_ Aqui está Sr. Marcus, como o Sr. Pietro orientou…

_ Obrigado moça. – Marcus pega o copo de Valek e enche, fazendo o mesmo com o seu. – Um brinde meu amigo, somente por hoje esqueçamos isso de guerras antigas e nos voltemos a apreciar a música, ambiente, bebida… que tal um pouco de diversão quando sairmos daqui?

Valek olha para o amigo e sorri – Porque não? Há um certo tempo não saio na intenção de me divertir.

Ambos permanecem ali até que o bar começa a esvaziar. Eles já vinham observando o ambiente… sentindo o cheiro das pessoas, cheiros variados, almíscar, madeira, suor, bebida, hortelã… Cheiros que sempre deixam as criaturas da noite em extasy.

Sem precisar falar nada, ambos se levantam, trocando simplesmente um simples olhar, descem a escada do mesanino e cada um segue para um lado, em direção a uma pessoa diferente. Valek escolhe uma bela dama, que está ainda recostada ao balcão, parecendo embriagada.

_ Desacompanhada Milady?

_ O… Oi… é… desculpe… quem é você?

_ Mil perdões se te assustei. É que o bar está quase fechando e eu percebi que está desacompanhada. Prazer, meu nome é Valek.

A mulher ri – Sério mesmo? Tipo, nome … estranho não? Aaahhh desculpe minha indelicadeza, você foi tão gentil… e…

_ Não se incomode moça, apenas diga teu nome – Valek sonda sua mente em busca de algo que possa usar, algum medo, fraquesa.

_ Solange, prazer… Vakle…

_ Valek Milady Solange. Posso te acompanhar?

_ Nossa, que galanteador… difícil achar cavalheiros nesses tempos. Pode sim, meu carro está logo ali no estacionamento da frente.

_Desculpe me intrometer, mas acho que não está em condições de dirigir.

_ O que me sugere nobre cavalheiro? – Solange solta um riso maroto.

_ Que eu te acompanhe até sua residência…

_ Ou você me levaria para a sua?  – Ela lança um olhar insinuante para o vampiro, que sorri, e oferece o braço para a dama.

Em outro canto do bar, Marcus está conversando com um integrante da banda, que aponta para um canto onde duas garotas conversam animadas.

O vampiro agradece a informação e segue para a mesa das duas garotas que fica logo abaixo da escada que leva para o mesanino.

_Desculpem senhoritas, mas o bar está fechando, tenho que acompanhar vocês até a porta.

_ E quem é você?   – Pergunta uma delas, quando Marcus lança seu olhar para ela.

_ Nossa Talita, como você pode ser grossa assim com o cara?

_ Não se preocupe moça, eu ta,bem fui um tanto quanto sem educação em não me apresentar à vocês. Prazer, Marcus… e vocês?

_ Me chamo Talita, desculpe pela grosseria com você Marcus. Eu estou um pouco chateada hoje. Meu namorado sabe…

Ela começa a discursar enquanto a outra simplesmente olha intensamente para o vampiro parado em pé à frente da mesa. Marcus usa de seu poder mental para descobrir o nome da outra bela moça… Karina… linda, loira com olhos claros, um vestido negro estilo gótico.

_ Prazer Karina! – Ele entra na mente da moça dominando-a.

Algum tempo depois, Marcus sai acompanhado com as duas belas damas, sendo observado ao longe por uma figura sinistra, escondida nas sombras, sem que Marcus ou mesmo Valek, que saiu antes de seu companheiro, tenham percebido.

Vampiros: Diário de um Vampiro – Talamasca

A vida dos vampiros é antiga, como vocês podem imaginar. Eu sou apenas um novato, como me chamam porque os Primeiros estão esperando mudanças do mundo para que possam voltar a reinar, mas fazem mais de 800 anos que o último foi visto, desde o tempo das Cruzadas.

Essa sempre foi uma história que me intrigou pois a antiga aliada Igreja, voltou-se contra os Cavaleiros da Ordem de Salomão,  Cavaleiros Templários ou ainda Ordem dos Templários, acusando-os de Heresia.

A história é um pouco diferente do que dizem alguns livros e a própria igreja. Eles declaravam votos de castidade e pobreza sendo portanto, livres de riquezas, porém recebiam doações. Alguns, creio piamente que saquearam cidades em suas conquistas em nome de Deus e, talvez por isso, pelo poder não só militar, mas em riquezas, status adquirido, tornando-se maiores que o próprio papa em reconhecimento e respeito, a igreja tenha feito tais acusações, incitando reis contra os Templários que foram presos, torturados, mortos em fogueiras.

Mas nem todos sofreram tais crueldades. Muitos conseguiram fugir para diversos outros países como Portugal, Espanha, Inglaterra, permanecendo escondidos por certo tempo e mantendo suas riquezas, propriedades adquiridas, mas deixaram de venerar a santa cruz que agora os queria mortos.

Alguns ex-templários, se podemos os chamá-los assim, são os criadores da que chamamos hoje de Talamasca. Após os acontecimentos de perseguições e fuga dos templários, muitos se envolveram realmente com bruxaria, seitas demoníacas, mas alguns nos encontraram e solicitaram nossa ajuda, mas não sem antes se assustarem, perseguirem, matarem muitos de nossa espécie.

Tão antigos quanto nossa espécie, são os Lycans, ou Lobisomens que por mais absurdo que pareça, em determinado momento da história, foram aliados da igreja. Eles eram enviados para vilas, cidades onde os templários haviam se estabelecido, com a desculpa de “Caça às Bruxas em nome do Deus todo Poderoso”. Claro que os pulguentos não apareciam em sua forma animal. Eles chegavam como verdadeiros guerreiros de Deus, vestidos de armaduras, geralmente acompanhados de padres, bispos, para ajudar em uma possível “manifestação demoníaca”.

Muitos dos que conseguiram escapar na primeira vez, quando da perseguição da igreja, não tiveram tanta sorte desta e, mais uma vez foram queimados em fogueiras, tanto eles como suas mulheres, crianças e seus bens tomados. Ao cair da noite os pulguentos eram liberados para caçarem quantos necessitassem e, no dia seguinte, quando o povo dito inocente, se questionava sobre o que havia ocorrido, dizia-se que os que não estavam ali tiveram a consciência pesada pela mão de Deus e fugiram de sua ira. O pacto era esse, a Igreja liberava os Lycans desde que eles trouxessem os tesouros para ela.

Bem sabem que os Lobisomens nojentos são inimigos declarados, milenares dos vampiros, mas isso é outra história. O fato é que um dos Primeiros, Uziel, filho de Cain, sabia dos ataques à vilas e cidades e quem atacava. Procurou uma dessas, onde alguns templários haviam se estabelecido e ofereceu ajuda em troca de algum ouro que pudessem ceder. Eis que Bartolomeu aceitou a aliança, abriu as portas da cidade para que outros de nossa raça viessem, se estabelecessem e esperassem a aparição dos pulguentos e asseclas.

Historicamente, pode-se dizer que esse foi um dos grandes embates envolvendo humanos, lycans, vampiros, cléricos… Em certo dia chegaram todos aqueles “jurados” de Deus, “Cavalheiros de Deus” informando que a cidade de Ninive, na Itália, havia sido acusada de praticas de bruxaria, heresias, adoração ao demônio… todas essas coisas…  o fato é que o demônio não tem nada a ver com nossa criação, muito menos com a dos sarnentos e esse não era o exato objetivo da invasão à cidade, como soubemos. Durante todo o dia casas foram invadidas, pessoas presas, bens saqueados, enquanto aguardávamos nosso momento. Ao cair da noite quando enfim os sarnentos decidiram sair para brincar, nós saímos de nossas covas e começamos a caça. Antigamente lutávamos como cavaleiros… armadura completa de aço negro que reluzia sob a luz do luar, longas espadas de aço revestida de prata, enquanto os lycans, em sua forma de lobo, nada tinham para proteger, a não ser sua força extrema, mas nós não ficávamos atrás. Aquele foi um grande embate liderado por Uziel, Marac e Iago. Ambos os lados tiveram baixas, mas os templários foram protegidos.

A aliança durou por vários embates em várias cidades até que os sarnentos e seus asseclas decidiram por parar… seja porque já haviam conseguido muitos tesouros, riquezas, conquistas, seja porque estavam perdendo muito contingente… mas as baixas foram de ambos os lados.

Muitos livros contam histórias controversas de ambos os lados, mas nossos antepassados que estiveram lá, que lutaram ao lado dos templários sabem a realidade e tem isso documentado e muito bem guardado. Ainda existem alguns que acreditam na existência do Drácula, sim… o Conde Drácula, Vlad Tepish, o Vampiro ancestral que dizem ter vindo de outra linhagem diferente da de Cain, mas com características semelhantes ou até iguais as nossas, embora os mesmos que acreditam na história dele, digam que ele não deixou descendentes. Isso somente quem poderia confirmar seria algum dos Primeiros, que podem ter vivido na mesma época que ele… E além deles, creio que já disse das diferentes… “espécies” de vampiros, mas isso também é outra história que se eu começar a contar, perderei o fio da meada.

Mas, continuando, após longas décadas de guerras travadas entre igreja, lycans, vampiros, humanos Templários…

O mesmo Bartolomeu, já em idade avançada, passou o conhecimento de nós para seus filhos, netos… e eis que um de seus descendentes decidiu que não interferia em nada de nossas vidas, apenas registraria, observaria, investigaria… eis que surgiu a primeira Talamasca. Claro que outros ligados à Bartolomeu, acharam aquilo um absurdo, esquecendo da ajuda que tiveram na hora da necessidade e voltando-se contra os que os defenderam, julgando que todas as criaturas sobrenaturais eram uma afronta à Deus. Estes seguiram por outras veredas e tornaram seus descendentes, “caçadores de monstros”.

Nota pessoal: ainda acho que a humanidade é capaz de muito mais monstruosidades que a nossa raça.

Bartolomeu não sabia tudo sobre nós, só o básico que poderíamos revelar. Foi feito juramento de sangue no qual ficou jurado que se algum dos seus descendentes, seguidores da Talamasca revelassem algum de nossos segredos, revelasse ao mundo sobre nossa existência, eles seriam exterminados. Ele sabia que éramos capazes de fazer isso como se fosse morte causada por doença, peste, algo do gênero.

A Talamasca hoje em dia, limita-se a registrar algumas aparições de nossos parentes, como era antigamente. Desde a última grande batalha, nunca mais haviam acontecido embates de grandes proporções… até hoje.

As aparições de filhos da noite sem autorização do Rei de determinada região está preocupando tanto a nós, como a Talamasca, que está passando agora a receber depoimentos de pessoas que acreditam ter tido contato com um de nós ou pulguentos.

Espero que possamos realmente… colocar a mão em uns pescoços desses sarnentos… encoleirar alguns e quem sabe, tê-los como animais de estimação?

Vampiros: Diário de um Vampiro – Predadores

Marcus sempre diz que eu sou sentimentalista, que esse meu lado humano ainda me mata, mas talvez isso sirva para lembrar-me de minha condição de um dia… um humano que amou, sofreu, chorou…

Parece que sempre que escrevo no blog, sempre conto algo sobre sentimentos… não? Talvez esse seja mais um então.

Todos os que acompanham meu blog sabem que eu gosto muito de caminhar à noite, observar a vida humana e, mais uma vez me surpreendo com a fragilidade das pessoas e a maneira que elas querem se mostrar fortes para não transparecerem a fraqueza. Muitas vezes para eu conhecer sentimentos, desejos, anseios dos humanos, eu entro na mente deles, sem que eles percebam e vejo isso.

Bom, vamos ao ocorrido. Eu estou me mudando de cidade e, portanto, passo a maior parte do tempo aqui nesta nova morada enquanto meus serviçais tomam conta da papelada para a transferência. E nesse entremeio, sempre costumo sair pela noite, fazendo sempre as mesmas coisas… observando. Em uma dessas noites, me chamou a atenção uma linda mulher com cabelos negros, olhos verdes penetrantes, pele amorenada, lábios deliciosos, corpo escultural, realmente uma bela mortal. Eu passei a acompanhá-la ao longe, sem que ela percebesse. Comecei a ver que ela era sociável, gostava muito de sair, curtir baladas, nunca bebia nem fumava, tinha um namorado de uma cidade próxima e algumas vezes era visitada por ele ou ela mesma ia para a tal cidade atrás dele. Mesmo na condição de compromissada, nunca deixou de… como os mortais dizem… “ficar” com outros homens. Muitas vezes passava muito disse e ela terminava na cama com eles.

Outros humanos a viam como uma mulher fútil, fácil e simplesmente não sentiam nada por ela além de desejo, vontade de tê-la em suas camas, para que no dia seguinte deixem-na e tenham o que contar a outros humanos o que aconteceu, contar vantagem, enfim…

Mais uma vez me lembro das palavras de Marcus, que me diz para não me importar nunca com isso, porque os humanos são fúteis, se apegam a coisas fúteis e que parecem estar sempre se esquecendo de sentimentos, estão se tornando frios como nós sem serem vampiros.

Parece loucura, mas me senti atraído por ela. Não no sentido de amar tal mortal, mas no sentido de querer entendê-la, protegê-la.

Em uma dessas noites que eu estava observando-a decidi que deveria me aproximar. Ela estava na fila para entrar em mais uma “balada” muito conhecida na cidade. Usando de minhas habilidades, entrei também no local. Era uma antiga casa, pelo que se percebia pelo formato do local, embora não conservasse os cômodos de uma. O que deveria ser uma sala ampla foi transformado na pista de dança. À esquerda desta, havia
uma entrada para o camarote, embora pequeno, assim o era. À direita, descendo por alguns degraus, ficava o bar e logo à frente deste, um local amplo, com alguns pequenos pufs, onde as pessoas sentavam para descansar, namorar…

Algum tempo depois de entrar, ela seguiu para a pista de dança, onde o DJ estava tocando um estilo de música… como dizem… eletrônica. Muitos bebiam, riam, dançavam, mas desta vez ela parecia estar sozinha embora dois humanos a olhassem e comentavam entre si. Não precisava nem ler a mente deles para saber como viam-na. Eles beberam muito, misturavam uísque com energético para “ficar legal”, pagaram bebidas para os “amigos”…

Nós escolhemos nossas vítimas não aleatoriamente, temos que seguir um padrão para não deixarmos pistas e, fazemos isso para nos alimentar, em muitas vezes não gostamos do que fazemos, mas é necessário e muitas vezes entramos em frenesi e saímos caçando sem critérios, o que pode ser perigoso. Mas esses humanos a vêem como mais uma “mina” que vão se aproveitar, zoar e contar para os amigos, como vantagem, só por diversão, não por necessidade.

Ainda continuei observando ao longe, quando um deles pareceu fazer uma aposta com o outro que sorriu e finalmente apertaram as mãos. Um deles se dirigiu para a garota que dançava no meio da pista. Ele se aproximou por trás e seguindo os movimentos dela, segurou-a pela cintura. Ela simplesmente deu uma olhada de soslaio e sorri, continuando a dançar.

Quando a música acaba, ele virou-a para ele e puxou-a para mais perto, beijando-a. A garota deu um empurrão no garoto e saiu da pista. O garoto olhou para o outro fazendo sinal com as mãos, querendo dizer que não sabe o que aconteceu enquanto o outro simplesmente riu.

Eu a vi se dirigindo para o banheiro feminino, permanecendo ali por alguns minutos e quando finalmente saiu, o rapaz estva no lado de fora esperando. Ele a pegou pelo braço, ela puxou lançando-lhe um olhar furioso, virou as costas e seguiu para um dos sofás ali perto sentando
sozinha.

Mais uma vez me atenho a observar nas sombras e escutar a conversa deles… o diálogo eu me lembro de praticamente tudo, mas descreverei apenas o essencial para que vocês entendam as atitudes…

“… Mas Fernanda, eu sei que você gosta disso… eu sei…” Insistia o rapaz, enquanto ela olhava para o nada e finalmente respondeu: “Não Rafa, você não me entende, você… não, não é assim como pensa…”, mais uma vez o rapaz insistiu e desta vez em um tom mais agressivo, enquanto o outro se aproxima… “Fernanda, você vai embora comigo e com o Pedro, mesmo que tenhamos que te arrastar”

O tal Pedro estava junto deles, com os braços cruzados, balançando o pé e com um sorriso malicioso nos lábios.

Ela olhou para ambos, colocou-se em pé e disse: “Tá bom, eu vou, mas só vou de carona com vocês e nada mais…” dito isso o tal Rafa abraçou-a pela cintura e ainda consegui ouvir quase como um sussuro, o garoto dizendo: “Você é quem pensa”.

Ah Marcus, como queria que você estivesse lá naquele dia, acho que se divertiria muito com esses dois aloprados. Dois recém saídos da adolescência, mortais bonitos, roupas de marca, tênis caros, provavelmente ricos, mas extremamente fúteis. Julgando-se ”predadores”, “pegadores” de mulheres, ridículos! Saem à noite para “curtir”, pagam uma nota em bebidas para ficarem valentes para encarar as mulheres,
muitas vezes pagam bebidas, champagnes, garrafas de uísque, para serem sociáveis, mas não percebem que estão sendo sugados, usados por aqueles que os rodeiam…

Eles sairam juntos e, da mesma maneira que havia entrado, saí sem ser notado.

Eu me coloquei acima do telhado de um posto de gasolina, logo à frente da balada sem ser notado pelos jovens bêbados que ainda estavam lá fora, com seus carros, som alto, bebendo, “curtindo a noite”.

Os dois e a menina seguiram subindo a rua paralela à casa noturna, chegando a frente a um estacionamento, onde Rafael puxou sua carteira, deu uma nota de 10 reais ao guardador de carros enquanto Pedro seguia para o carro de uma marca importada, cor preta… por sinal um belo carro que serviria muito bem para mim.

Rafael apertou o botão do alarme fazendo as portas destravarem. “Entra aê Fer…” Disse Pedro, abrindo a porta de trás do carro para a moça e entrando logo depois. O outro sentou no banco do motorista, deixando o banco do passageiro livre. O carro preto com insulfim extremo deixara o estacionamento seguindo por algumas ruas de trás, sendo acompanhado por mim.

Eles rodam por algumas ruas desertas, não param para nada até que seguiram para um conjunto de casas que compõem a entrada de uma plantação de Cana de Açúcar. Entrando por um grande portão, a rua que dá acesso à usina é extremamente escura, o que facilitou ainda mais para mim a minha observação.

Rafael encostou o carro em uma parte gramada que fica ao lado da rua, entre duas árvores. Abriu a porta do carro que iluminou o interior e desceu, dirigindo-se para a frente do automóvel, onde abriu o zíper da calça e começou a urinar.

Notei Fernanda dizendo algo… “Eu quero ir para casa”, Enquanto Pedro tentava agarrar a moça à força… “Ah Fer, daqui a pouco a gente leva você… seja boazinha vai…”. Rafael voltou e abriu a porta de trás e entrou no carro, deixando a moça entre os dois. “Eu quero ir embora” ela disse assustada. “Você só vai quando nós dois pegarmos você!” Rafael disse pulando em cima dela enquanto Pedro ria alto, nitidamente embriagado.

A moça conseguiu empurrar Pedro e sair do carro, correndo assustada na escuridão, enquanto os dois saiam do carro rindo muito, quase caindo na rua… “Fe-er… onde você está indo? Sabe que não vai chegar em casa sozinha… vem cá meu amor…” Disse Rafael olhando em volta, tentando localizar a bela dama.

Pedro encostou-se em uma árvore, abaixou-se e começou a regurgitar a bebida ingerida. Um cheiro azedo percorreu minhas narinas enquanto observava Fernanda correndo apavorada, sem saber o sentido correto da saída.

Por vezes é muito interessante ocasionar uma perseguição às nossas vítimas, porque parece que a adrenalina que é liberada no corpo de tais, nos proporciona maior prazer na hora da alimentação. É como deve se sentir um gato, correndo atrás de um rato, quando finalmente consegue encurralar e se alimentar do roedor. Ou qualquer outro predador de maior tamanho… imaginem um leão, leopardo, quando consegue sua presa, após exaustiva insistência e perseguição…

Mas aquela não era uma perseguição de vampiro a uma vítima, à espera de se alimentar. Aquilo tratavam-se de dois idiotas, bêbados, correndo atrás de uma mulher, para tentar estuprá-la. E por mais uma vez me lembro de Marcus, que certamente diria “Isso não é problema seu… essas coisas sempre acontecem e nós nunca nos intrometemos ”, mas por mais monstruoso que eu seja, nunca deixei de apreciar a vida humana, sendo como vítimas ou simplesmente tendo lampejos de minha mortalidade, quando pude amar, sofrer, sorrir… lembram-se do que disse acima?

Eu sai da escuridão que estava e talvez nem precisasse ficar escondido, já que ambos estavam tão bêbados que poderiam passar por mim sem me notar. Mas fiquei no meio da rua, olhando para a mulher que corria para a minha direção enquanto os outros dois bêbados gritavam por ela. Não sei se por medo ou pela escuridão extrema ela passou por mim sem perceber. Simplesmente deixei-a passar.

Um carro vinha subindo ao longe, mas já era perceptível a luminescência do farol alto iluminando o caminho à frente e o som que o motorista ouvia tornava-se mais audível. Os dois garotos perceberam o carro se aproximando rápido. Olharam para trás, saíram da rua e quando retornaram a perseguição, ao olharem para a frente, deixei que Rafael notasse minha presença enquanto pulava o carro e sumia novamente na escuridão. Ele achou-se bêbado demais para acreditar no que tinha visto, mas foi nesse instante que pulei atrás de Pedro, agarrei-o e tampei sua boca, para que não fizesse barulho. Lentamente arrastei-o em direção ao amigo dele, parado encostado em uma árvore, tentando entender o que havia acontecido.

O local era muito ermo e escuro, mas como que por magia, a lua cheia brilhou no céu, antes encoberta por algumas nuvens, iluminando minha face, meus olhos rubros brilhantes e Pedro de costas para mim, tremendo…

Certamente eu aprecio tais momentos de terror, quando eu noto que minhas vítimas tremem, apavorados, imaginando que eu sou algum ladrão, terrorista, assassino… chego mesmo até a rir e esse foi um dos momentos de risadas. “O-o-o que você quer?” Dizia Rafael, nitidamente apavorado, já que a bebedeira havia passado com a carga de adrenalina no sangue (delicioso momento). Eu puxei o pescoço de Pedro e lentamente passei minha unha no pescoço dele, deixando correr um fio de sangue, apavorando mais ainda o amigo que se assustava cada vez mais. Novamente sumi na penumbra da noite.

Rafael estava estático, com a mão na boca e, de repente passou a vomitar intensamente. Logo ele parou e estava voltando ao carro, quando apareci em sua frente com a boca cheia de sangue. O susto o fez cair ao chão, tentando correr, se levantar, sair dali…

Mais uma vez me deliciei com o momento de vê-lo correndo sem saber para onde, sem direção, gritando por socorro, sem ser ouvido.

Mais alguns instantes e eu finalmente apareci em sua frente dele desferindo o golpe final. O sangue, cheio de adrenalina também tinha o gosto do medo, de álcool ingerido com energético…

Finalmente deixei o corpo seco cair ao chão e, após as providências cabíveis, segui subindo a rua, devidamente provido de energia que me proporcionou velocidade para achar Fernanda ainda perto da entrada do local.

“Parece apavorada moça? O que te aconteceu?” Disse eu suavemente, para que não assustasse mais ainda a moça. Ela não me disse nada, simplesmente veio em minha direção chorando muito, assustada com a atitude dos dois dizendo haver ouvido um grito pavoroso atrás de si
enquanto corria. Sim, ela havia ouvido sim, quando eu permiti que Rafael gritasse.

Eu a acalmei e a mantive em meus braços recostando sua cabeça em meu peito aquecido pela ingestão do sangue enquanto acariciava seus sedosos cabelos negros.

Sempre odiei que humanos se aproveitassem de outros… como disse… nós não nos aproveitamos, necessitamos de alimento. Digo por mim, que por vezes me alimentei de animais para não sacrificar humanos, mas sempre que assim foi necessário, soube como e quais escolher.

Acompanhei Fernanda até a sua residência, disse que ficaria tudo bem e que se precisasse eu a levaria para uma delegacia, mas ela insistiu que não precisava, que eles estavam bêbados, mas eram amigos…

Eis que no dia seguinte, acharam o corpo de dois rapazes no mato próximo à usina de álcool, com marcas aparentes de facadas no abdome, marcas de luta, o que disseram ser um assalto. As vitimas haviam reagido e morreram.

Você deve se perguntar, caro amigo leitor: “Assalto? Como assim? Como marcas de facada?” E eu respondo à vocês… As marcas de minhas presas são facilmente disfarçadas porque podemos simplesmente usar nossa saliva para fechar e cicatrizar em segundos, sem deixar cicatris
Foi considerado assalto porque eu sumi com o carro. Marcas de faca? Ora essa, o que explicaria a perda de sangue? Exatamente, eu mesmo as fiz… perfeitas não?

Vampiros: Revelações…

Em um canto, no alto de um mesanino, duas figuras conversam. Um rapaz alto, cabelos castanhos ondulados caídos ao ombro, cobriam a lapela do sobretudo. Este, com um copo alto de cristal muito fino deliciava-se com a bebida enquanto o outro, também com uma boa estatura, mas de cabelos curtos, jaqueta de couro, anéis de prata e um com um símbolo de um dragão brilhava em sua mão enquanto,  recostado na cadeira, tragava o cigarro, pensativo…

_ Valek, tempos difíceis e estranhos estão por vir – Diz o ser pálido de cabelos curtos, enquanto deixa a fumaça do cigarro sair pela boca.

_ Por que diz isso Marcus?

_ Não é sempre que somos chamados à vir aqui, você sempre aparece, mas desta vez é diferente. Nós fomos chamados.

Enquanto eles conversam, uma garçonete se aproxima…

_Sr. Valek, Sr. Marcus, o senhor Pietro disse que podem entrar.

Os dois se entreolham. Parece que vão ter a resposta para tal chamado.

Eles levantam-se e seguem a garçonete que vai na frente até uma porta de mogno envernizado, muito bela e com detalhes em sua estrutura.

_ Por aqui senhores.

_ Obrigado! Responde Valek, educadamente enquanto passa pela porta. Marcus vem em seguida e a porta fecha-se atrás dos dois.
Eles seguem por um pequeno corredor até chegarem a outra porta, mais simples. Rodam a maçaneta revelando uma sala com móveis antigos mas muito bem conservados. Acima de uma bela mesa de madeira estão dois candelabros com 2 velas cada. À frente desta, duas poltronas aparentemente muito confortáveis de couro escuro. Na parede da porta, um abajur com o chapéu feito de pano, com pequenos detalhes de renda branca. Nas paredes laterais um conjunto de sofás de dois lugares, de couro escuro igualmente como as poltronas, com pés e braços de madeira detalhada.

_ Senhores, sentem-se por favor – A voz soa rouca e a figura que a proferiu reclina-se para a frente, deixando transparecer sua face pálida,  cabelos escorridos e prateados, compridos até os ombros, mãos cruzadas e cotovelos sob a mesa.

_ A que devemos o chamado Pietro?

A criatura descruza as mãos e puxa um jornal de nome “Diário de notícias” que mostra a manchete “Morte misteriosa no horto florestal… Chupa-Cabras ataca?”, e em destaque a foto de um corpo irreconhecível. (Vejam o post: Vampiros: Surgem os Lobisomens)

_ Eles estão voltando Valek… – Diz Pietro abrindo o jornal para mostrar a reportagem para os outros dois presentes na sala.

Um sepulcral silencio fez-se entre os três até que Marcus fala…

_ Mas, qual o intuito disso agora? Porque voltariam e se apresentariam dessa forma?

_ E essa não é a única notícia. Meus carniçais disseram que crias estão sendo soltas no mundo sem a permissão dos Primeiros.

_ Soube disso como? – Pergunta Valek.

_ Eu tenho um homem infiltrado no Conclave, Marcelo é quem me trouxe a informação. Como vocês sabem, eles são apenas admiradores de  nossa… “arte” de sobrevivência, além de pesquisarem sobre tudo o que consideram sobrenatural. Pode ser que saibam sobre o espião, mas não se importam porque podem acabar se beneficiando disso. Ele me disse que um humano entrou em contato com eles, procurando na internet, em diversos endereços para enfim achá-los e contar que viu o que acreditava ser um vampiro. (Veja o post: Vampiros: O interrogatório)

_ Eles estão se revelando?

_ Sim Marcus. Por muito tempo passamos despercebidos, após o homem deixar de acreditar em tais coisa, depois de influenciarmos certas classes de humanos para que deixassem de acreditar em coisas “sobrenaturais” mas agora, pelo que parece, os Licans estão voltando à ativa, além de esses irresponsáveis que soltam novatos pelo mundo, sem os devidos ensinamentos da máscara. Quero que vocês fiquem espertos com qualquer movimentação de Licans ou Neófitos. Caso aconteça algo e eu não contate vocês, me avisem porque isso não pode acontecer. Sempre vivemos na penumbra e não será agora que voltaremos a nos esconder, temer uma guerra contra nós. Mesmo que os Lobisomens se revelem, deixem que façam sozinhos. Aqueles pulguentos não deveriam nem ao menos existir.

_ Pietro, também tivemos um dos nossos que nos contatou para falar de um estranho assassinato, ocorrido em uma cidade do interior e com  certeza cometido por um neófito. (Veja o post: Vampiros: Os outros)

Pietro balança a cabeça em tom de preocupação… e de repente esmurra a mesa, assustando ambos os presentes à sua frente.

_ Malditos! Temos que caçar e exterminar esses irresponsáveis antes que seja tarde.

_ E quanto aos pulguentos?

_ Tomarei mais providências Marcus. Entro em contato com vocês.

Vampiros: O interrogatório

Jonas abre a porta e acende a luz revelando isolamento acústico de uma sala de tamanho médio. No centro uma mesa retangular com 2 metros de
comprimento por 1 de largura. De um lado duas cadeiras de madeira, do outro uma cadeira giratória, daquelas de escritório, que só se vêem em sala de diretores.
No centro da mesa um pequeno gravador digital.

_ Por aqui amigo – Jonas faz sinal com uma das mãos para que um rapaz alto, cabelos castanhos escuros, olhos verdes, de óculos, para que entrasse na sala enquanto segurava a porta com a outra mão.

_ Não precisa ficar com medo Luiz, isso é procedimento normal nosso – Responde Pedro, logo atrás do rapaz – Não queremos intimidar o senhor que veio aqui nos procurar.

_ Pode confiar Sr. Luiz, é que temos que ter sigilo quando tomamos depoimentos desses assuntos em particular.

_ Sim, desculpem se pareço assustado, mas é que parece interrogatório de polícia – O rapaz diz entrando na sala, ainda acanhado.

_ Não somos policiais. Por favor, sente-se aqui – Jonas puxa a cadeira giratória – O senhor quer algo para comer, beber… um café? – aponta para uma mesa menor, em um canto da sala, onde se vê uma garrafa térmica e um pote com alguns biscoitos.

_ Não, muito obrigado. Prefiro começar logo.

_ Muito bem – Pedro puxa uma das cadeiras, senta-se, pega o gravador e mexe em alguns botões – Podemos começar então.

O rapaz olha para o alto, fecha os olhos, respira fundo e começa a falar…

_ Bom… Eu entrei no metrô da linha vermelha Embarquei na estação da Sé e fui para perto da porta. Quando chegamos na Estação República, o metrô parou e eu dei passagem para que um rapaz sentasse no banco reservado. Reparei simplesmente que ele era magro, mais alto que eu, acho que com 1,90 de altura mais ou menos, muito pálido. Ele sentou-se. Fiquei observando-o por um tempo e notei os cabelos finos, escuros, barba por fazer, rosto fino e muito pálido.
Ele coçou o nariz com uma das mãos, esfregando-o e fazendo uma careta. Foi aí que eu pude perceber os dentes pontiagudos, mas não achei que fosse nada demais, quando ele olhou para cima, em minha direção. Eu desviei o olhar, com vergonha, mas foi quando senti algo em minha mente. Uma voz… não sei dizer ao certo se foi imaginação, sei lá, mas dizia “Está curioso quanto a mim? Sim, eu sou o que você pensou”. Aquilo gelou meu sangue. Olhei assustado para ele que continuava me olhando e sorriu, deixando aparecer mais ainda os seus caninos pontiagudos, quando o metrô parou na estação Anhangabaú e, num piscar de olhos ele desapareceu.

Pedro coça o queixo, levanta-se, segue em direção à garrafa térmica, pega um copo que enche com café, volta-se para Jonas e diz:

_ O que acha amigo?

Jonas apalpando o bolso do paletó e puxando um maço de cigarros responde:

_ É, parece que temos um contato com um sanguessuga.

Luiz arregala os olhos, como se não quizesse acreditar no que os dois homens à sua frente estavam dizendo, mas pensa: “Fui eu quem os procurou, porque ainda estou com dúvida?”

_ Sr. Luiz, pode parecer coisa do outro mundo, mas é muito real, é deste mundo mesmo e o senhor viu um deles. Um Vampiro! – Diz Jonas, acendendo o cigarro.

_ Embora hoje em dia tenhamos muitos filmes, livros, gibis sobre vampiros, mas… o que o senhor viu, realmente foi um vampiro real. Eles
existem há muito tempo, muito tempo mesmo.

O homem entrevistado continua com o olhar assustado para Pedro que está com o pensamento distante, com o copo de café nas mãos…

_Há quanto tempo vocês fazem isso?

_ Sr. Luiz, digamos que desde os primórdios, quando os seres humanos deram-se conta de que eles não eram os predadores, o topo da cadeia alimentar, como imaginavam até então – Jonas puxa uma boa tragada do cigarro olhando para o rapaz à sua frente.

_Com certeza Sr. Luiz, os seres humanos deixaram de crer em coisas da natureza, em coisas que antigamente, para nosssos antepassados, eram triviais. Podemos dizer que os seres humanos ao se tornarem civilizados, ao começarem a viver em cidades, estados, aos se tornarem conquistadores, deixaram a mãe natureza de lado, deixarem de venerar os deuses da natureza, deixaram de rezar aos deuses da chuva, do sol, do vento, da boa colheita… por isso que deixaram de acreditar em vampiros, lobisomens…

_Lobisomens? – Luiz interrompe Pedro – Eles existem também? Tipo… Seres humanos que se transformam em lobos e tudo mais?

_ Na verdade Sr. Luiz, estes que se transformam em lobos são metamorfos ou transmorfos, mas sim, lobisomens, aqueles retratados em filmes, bem como vampiros, existem também e posso assegurar com grande convicção que eles são aparentados dos sanguessugas.

_ Pedro, eles são parentes distantes e muitos já se esqueceram dos laços familiares.

_ Mas nós sabemos disso, temos provas…

_ No que eu me meti! – Luiz interrompe Pedro com a indagação.

_ Bom Sr. Luiz, isso indica que eles estão se revelando para a humanidade, após muito tempo reclusos… isso não é nada bom.

Vampiros: Surgem os Lobisomens

Essa história é a continuação de Vampiros parte 2 – A banda entra

Passava das 11 horas de uma noite muito fria. As grandes árvores do Horto Florestal quase não eram vistas pela fina névoa e garoa que caia. Podia-se somente ver os troncos e ainda a curta distancia. Ouviam-se alguns animais de hábitos noturnos pelo parque. O guarda, em sua guarita, quase pegando no sono, com a tv ligada no jogo do São Paulo aquecia as mãos em uma xícara de café.

Na rua lateral que subia para Trilha da Pedra Grande, um carro cinza, com gotas escorrendo pela pintura devido à névoa que se acumulara, parava no meio-fio enquanto o portão automático erguia-se.

Subindo por esta rua, viam-se muitas casas imensas, muitas com as luzes totalmente apagadas, porque naquela hora da noite, com o frio que estava fazendo, era melhor assistir a tv na cama ou dormir.

No final da rua, encontrava-se a casa do Sr. Pedro, o guarda florestal. Ele estava parado na porta de sua casa, se preparando para mais uma ronda pelas trilhas, enquanto seu cachorro pulava alegre, pois sabia que iria com o dono na ronda. Em uma mão ele segurava a lanterna e com a outra encaixava seu revólver 38 no coldre. Nunca se sabe o que pode encontrar no parque, mesmo naquela hora, mesmo com aquele frio.

Ele abre o cadeado do portão lateral da entrada do parque e começa a sua caminhada. Seu cão segue na frente, farejando tudo, somente sendo interrompido para a parada típica para urinar em uma árvore.

Um leve barulho foi ouvido vindo de dentro da mata, na trilha do Lago das Carpas, quase inaudível, mas para os animais com certeza foi alto. O cão do guarda começou a farejar o ar e eriçar o pelo das costas como que pressentindo algo, logo passou a rosnar e olhar para o mato.

_O que foi Mike? Será aquele gato do mato?

O cão avançou em direção ao barulho quando ouviu-se um rosnado, o cão grunhindo e correndo assustado por onde tinha entrado. Sr. Pedro também se assustou com o som que vinha do mato, apesar de não saber precisar de onde vinha tal barulho amedrontador, apontando a lanterna para diversas direções. Ele empunhou sua arma e começou a adentrar na trilha, imaginando ser algo maior que um simples felino selvagem.

_ Vou pegar você bicho dos infernos! Assustou meu cachorro!

O guarda continuou andando quando escutou algo atrás dele cruzando a trilha e se embrenhando novamente na mata, quando ele se virou, não conseguiu ver nada e quando voltou-se novamente para a frente, deparou-se com uma figura sinistra, mais alta que ele, coberta de pelos grossos e pretos. Levantou a cabeça vagarosamente, quando sentiu algo pingando em seu rosto. Ao levantar a lanterna viu uma figura animalesca, com respiração forte e saliva escorrendo de sua grande boca.

Seu primeiro instinto foi o de apontar a arma, com as mãos tremulas. O animal com um só golpe e um rugido desarmou o guarda. “Seu” Jorge tentou se virar para correr, mas o animal pulou em suas costas arremessando-lhe ao chão.

O grito de dor pode ser ouvido ao longe seguido por um uivo lacinante.

(Continua…)

Vampiros: O Diário de um Vampiro – Solitário

Saudações!
Faz muito tempo que não venho escrever no blog porque estava ocupado com alguns assuntos pessoais.
Hoje decidi passar para contar sobre minhas andanças, como sempre. Mas desta vez, sobre um sentimento que parecia ter morrido, mesmo que não totalmente mas nunca havia sentido isso com tanta intensidade…
Eu decidi seguir para outras paragens, outras cidades e terminei em Araras. Cheguei na sexta-feira passada por volta de 4 da manhã. Fiquei hospedado em um hotel muito aconchegante que fica próximo ao lago dos patos, um parque municipal muito belo também. Nesse dia decidi que não iria sair para nada, simplesmente queria aproveitar a brisa da noite na sacada de meu quarto de hotel e ler algo na internet. Descobri que no dia seguinte haveria uma festa chamada Sambaki… uma reunião em uma chácara nos arredores da cidade, porém começaria um tanto quanto tarde para mim… 16 horas. Mas mesmo assim decidi que iria ao local, pois bem, imaginei que variar o cardápio sempre é bom e acordar cedo também.
Meu carniçal adquiriu dois ingressos como eu solicitei. Ele chegou bem antes na festa e me ligou para me acordar por volta das 19 hs. Achei fácil a chácara e percebi a grande quantidade de mulheres que superava em um bom número a de homens. Muitos dos que estavam lá já estavam visivelmente embriagados outros ainda não, mas não paravam de beber.
Não decidi ir com minhas tradicionais roupas pretas porque poderia chamar uma atenção desnecessária e também decidi por não beber a cerveja servida lá pois não me cairia muito bem.
Logo Pedro me viu e veio ao meu encontro dizendo que estava gostando da agitação do local, muitas mulheres e homens bonitos. Liberei-o para que se divertisse, já que sua humanidade assim permitia, diferentemente de mim.
Coloquei-me em um canto, apreciando a movimentação do pessoal e decidi que não usaria minha presença para conquistar ninguém, homem ou mulher que fosse, para “aproveitar’ a noite e me alimentar. Desse instante em diante que percebi o quanto estava sozinho, o quanto estava solitário apesar de tantas pessoas a minha volta. O sentimento que há muito não se manifestava ou pelo menos nunca mais o tinha sentido, pelo simples fato de ser um imortal, se manifestou… a auto piedade, baixa estima… não conseguia que ninguém me olhasse com interesse, não consegui atrair a atenção de ninguém a noite toda. Foi horrível sentir aquilo novamente após tantos anos de escuridão.
Simplesmente desisti da diversão da festa e me retirei do local o mais rápido que eu pude, para que ninguém notasse minhas lágrimas de sangue.
Cheguei em casa e sabia que Pedro estava se divertindo com uma mulher. Aquilo me deixou feliz por ele e ao mesmo tempo triste, porque aquilo exatamente não era mais para mim. Companheirismo somente dos meus iguais… sentimentos de amor? Embora eu mantenha algo de mortal em relação a sentimentos,como Marcus sempre me lembra, isso tornou-se impossível.
Tenho que crer que minha pós-vida, mesmo não sendo escolhida por mim, tem que ser aceita porque assim é que sou… totalmente solitário.

Vampiros: O Diário de um Vampiro – Pensamentos… sentimentos…

De todas as pessoas que retiramos a Vitae, conseguimos absorver suas memórias enquanto nos alimentamos. Tudo passa em flashes muito rápidos e com um pouco de concentração, antes mesmo de a vítima dar o último suspiro, apagamos tudo de nossas mentes. Muitos de nós, ainda novatos, podem sofrer com a absorção de sentimentos, pensamentos, anseios, medos de suas vítimas mas, com um pouco de experiência, podem se acostumar e como disse, apagar da mente.
Simplesmente para mim, naquele dia, era somente mais um mortal servindo de alimento, embora eu me assuma muito ligado a eles, minha fome é maior que meu… digamos, carinho. Mas aquele dia, enquanto alimentava-me, as memórias comumente vindas e rapidamente apagadas, me chamaram atenção. Quando dei fim a vida do mortal, suas memórias permaneceram latentes em minha mente porque eu assim quis. Recolhi-me aos meus aposentos quando o dia raiava e as memórias foram avivando-se e eu perdi longas horas analisando cada uma delas…
Memórias distantes de uma infância solitária, por ser filho único, mas não que não tivesse amigos, mas por sempre precisar de algo para se completar. Na adolescência, o primeiro beijo, a primeira namorada, o conhecimento dos sentimentos como amor, ódio, respeito… O conhecimento do prazer carnal, desejos secretos…
Não me lembro muito de minha adolescência, mas sei que é uma fase de transição muito importante para os humanos, quase parecido com o segundo nascimento, quando nascemos para a noite. Mas outra parte da vida deste ser me chamou mais ainda a atenção, quando ele tornou-se adulto. Um homem sentimental, romântico, que sofria por amor não correspondido, sofria por amizades que considerou sinceras, palavras ditas que ele aceitou e depois provadas inverdades, mas mesmo assim ele nunca desistiu de achar certa pessoa que entendesse seu jeito de ser, amar, corresponder, ser atencioso, carinhoso…
Um namoro longo, mais de cinco anos e pensando que a pessoa fosse realmente quem tornaria sua esposa, mas não foi assim.
Um relacionamento em que as palavras foram proferidas… “Eu te amo”, “quero me casar com você” e mais uma vez, como tantas vezes anteriores, palavras que foram aceitas para depois mostrarem-se mentirosas, afiadas como lâminas, mas que não o deixaram triste. No fundo o tornou mais insensível e ao mesmo tempo inseguro, desconfiado, amedrontado dos sentimentos dos outros por ele.
Outras pessoas passaram pela vida do humano, mas não houve sentimento por parte dele e quiçá das pessoas que se envolveram com ele. Por muito tempo ele permaneceu guardando algo dentro de si, fúria, tristeza, desconfiança, depressão… Ele passou a não demonstrar mais sentimentos, não se mostrar “a fim” desta ou daquela garota, por medo, insegurança, medo do que poderiam sentir por ele ou o que ele pudesse dizer e que as pessoas pensassem…
A religião não ajudava, embora ele acreditasse em alguma força superior, tentasse acreditar que aquilo pudesse ajudá-lo a conhecer alguém, ajudá-lo a superar os medos…
Marcus sempre me diz que eu nutro sentimentos por pessoas ainda que passageiros, mas esse rapaz realmente tinha uma vida que merecia talvez ser prolongada com a pós-vida e, quem sabe, descobrir a felicidade… de alguma maneira.

Vampiros: Os outros…

Quando eu e Marcus chegamos à porta do barracão sentimos o cheiro pútrido, cheiro de morte, mas o causador disso não estava. Pelo menos foi o que nos disseram. O Barracão ficava em um local afastado de tudo e todos, literalmente no meio do nada. Pegamos a Bandeirantes e seguimos por mais de 1 hora até achar a antiga Granja Ito.
Eu empurrei a porta de madeira que rangia nas dobradiças e soltava algumas lascas sob meus braços estendidos. Marcus veio logo atrás e o que vimos, embora sejamos considerados monstros, foi horrível até para nós.
_ Esse outro caprichou nos requintes de crueldade mesmo – Marcus observa um corpo decapitado que balançava em uma corrente presa em uma viga de madeira, pendurado pelas pernas , com as não amarradas atrás das costas. O sangue pingava mais grosso em uma bacia logo abaixo dele.
_ Ele é cruel… mesmo para nós isso não pode existir – Valek ampara o corpo olhando para cima, tentando adivinhar alguma maneira de tirá-lo dali. – Temos que sumir com esse corpo.
_ Ah, Valek… Valek… concordo que isso seja crueldade, mas você tem que deixar seu lado sentimental de lado. O homem não sente mais nada. Não há motivos para que enterremos o pobre homem.
_ Mas se o deixamos aqui, pensarão que foi um psicopata que fez isso? Embora AINDA não saibam nossa existência, este ser com certeza quer se deixar ver, aparecer, causar pânico e perseguições… Conseqüentemente sofreremos com isso. Ajude-me a descê-lo – Valek usa sua habilidade vampírica e sobe no madeiro, desamarrando a corda enquanto Marcus segura o corpo.
_Você tem razão, esse desgraçado tem que ser encontrado e destruído, porque pode nos causar problemas futuros. Mas o que me intriga mais é… onde ele estaria nesse exato momento.
Valek faz um sinal com o dedo na boca, pedindo silencio para o amigo – Marcus, está escutando algo?
_ Agora que disse – Marcus responde baixo, num tom inaudível para humanos. Com certeza é um novato, desastrado…
Valek faz um sinal para que eles se escondam e observem quem é o assassino. Eles agilmente se escondem sobre as vigas de madeira, em um canto escuro usando a visão vampirica para ver um homem de mais ou menos 1,80 de altura, cabelos curtos, escuros empurrar a porta de madeira deixando a luz de fora entrar e iluminar o chão empoeirado. A porta fecha atrás dele, que percebe que o corpo não está mais pendurado. Por um instante ele olha em volta, mas nada percebe.
Marcus desce agilmente atrás dele passando os braços por baixo dos dele estendendo as mãos em seu pescoço, imobilizando-o.
_ Novato! O que está pensando? Quem é você? Tá querendo nos ferrar?
Ele não tem forças para reagir, apenas se debate.
Valek desce à sua frente fitando-o…
_Qual seu nome? Quem te criou?… Marcus, não o aperte tanto, senão acaba matando ele.
O novato apenas geme e se debate.
_Valek, parece que não vamos conseguir muita coisa além disso – Marcus solta o novato que tenta fugir, mas é lento demais. Marcus agarra-o novamente, cravando seus dentes no pescoço dele.
Imagens começam a invadir a mente de Marcus enquanto ele suga a vitae do outro vampiro… Tudo vem à tona. Ele sempre foi um estupadror, psicopata, que deliciava-se com a dor das vítimas que ele fazia. Ficou preso muito tempo depois que conseguiram associar ele a uma série de assassinatos que o fizeram ficar conhecido como Vampiro do interior, porque ele costumava beber o sangue ou comer pedaços de carne delas. Anos depois da prisão foi levado para um manicômio, de onde saiu porque “estava curado” segundo os médicos.
Mas, o que intrigou Marcus é que não conseguiu ver quem deu o dom negro para esse psicopata. A imagem é escura, turva…
Marcus solta o corpo do vampiro no chão ainda golfando um pouco de sangue pela ferida do pescoço.
_ E então Marcus?
_ Descobri apenas o óbvio. Ele era um psicopata, mas nada de quem o soltou na noite. Temos mais essa agora. Quem está fazendo isso? Dando o dom negro sem orientação, sem restrição?
Continue acompanhando…

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